Socialismo por Ludwig Von Mises



     Este pequeno artigo tem como objetivo central sintetizar a opinião de Mises a respeito do socialismo, baseando-se justamente na segunda lição (palestra) de sua obra.

     Afim de facilitar a compreensão desse resumo, antecipo que usarei os verbos quase sempre no tempo passado e tratarei as reflexões feitas por Mises como hipóteses, já que esse texto é uma interpretação pessoal. Irei me referir aos que estavam no local da palestra como leitores, assim consigo abranger a todos aqueles que estavam presentes e aos que leram o livro posteriormente.     



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     Em 1959, o economista Ludwig V. Mises foi convidado pelo economista Dr. Alberto Benegas Lynch (pai) para conferir uma palestra que seria ministrada na Universidade de Buenos Aires. Mises dispensa apresentações. Precursor e principal expoente do que entendemos ser a 3º geração da escola austríaca de pensamento econômico, conferiu 6 palestras na ocasião. Essas palestras foram redigidas e deram origem à uma de suas obras mais famosas: As seis lições

     O ensaio começa com a definição do que seria o mercado para poder situar os leitores, basicamente essa definição expõe que o mercado "é um processo de interação entre as pessoas", um sistema que mostra que a cooperação dos indivíduos na divisão social do trabalho é realizada pelo livre mercado, desta forma o individuo escolhe a sua própria maneira de inserção na sociedade. Logo, fica claro que qualquer forma que vise burlar este processo ou se opor contra ele, estaria atacando a liberdade coletiva (resultado da soma das liberdades individuais). 

     O socialismo para Mises, é um sistema despótico e teria como a principal característica o planejamento central (associado também ao comunismo), onde vigora apenas uma autoridade econômica, suprimindo as interações individuais. 

     Sendo assim, fica evidente nesta lição que socialismo seria o contrário de liberdade econômica, pois é o sistema onde poucos definem o rumo da vida de muitos, e através de um processo semelhante ao que pode ser descrito como "conclave", definem quais carreiras as pessoas devem seguir, o que precisam comprar para sobreviver e a que preço os produtos devem ser vendidos. Seguindo essa linha, Mises mostra o porquê do socialismo ser contrário à liberdade, já que em um sistema de livre mercado, o individuo tem a liberdade de escolher e também a liberdade de errar. 

     Um raciocínio importante que é abordado, é a distinção entre os liberais clássicos do século XIX e os atuais liberais do século XX (período em que foi proferida a palestra). Os primeiros acreditavam que a liberdade econômica não era excludente das outras liberdades, assim como de imprensa, de expressão, de pensamentos, entre outras; diferentemente dos liberais atuais que insistem em fazer essa separação: liberdade econômica versus liberdades individuais. 

     Prosseguindo em sua lição, Mises explora um outro argumento, o possível fato de que os socialistas não imaginaram que um dia a economia seria baseada em cálculos e que por isso, os socialistas teriam dificuldade em lidar com politicas monetárias, fiscais, cambiais e afins. Podemos chamar esse fator de "cálculo econômico". 

     Na prática, temos duas hipóteses:
  1. Economia baseada no cálculo matemático (preços);
  2. Surgimento de novas ferramentas para medição de desempenho - os indicadores econômicos;
  3. Planejamento empresarial.
     O economista termina ligando parte dessa tese à um exemplo prático, o experimento soviético. A palavra "experimento" nos lembra algo relacionado a ratos de laboratório, nada agradável se aplicado a seres humanos. Mises usa o método comparativo através de dois argumentos centrais para expor a ideia da União Soviética. O primeiro é a comparação do padrão vida soviético ao padrão de vida americano, onde é claro observar que no ninho do capitalismo, os Estados Unidos, há um padrão de vida muito elevado e superior ao padrão de vida na União Soviética. O padrão de vida americano é fruto da liberdade que a sociedade tem para exercer e por em prática as próprias ideias sem estar sujeito à aprovação de algum comitê. E por fim, constata que o padrão de vida soviético não melhorou pós-czarismo com a introdução de um sistema puramente socialista. 

     Propõe ao final de sua lição que no socialismo a sociedade serve ao estado, e é o gabinete central desses poucos que exerce a ditadura, onde o comprador que deve ficar agradecido e não o contrário...

     A lição que podemos tirar ao ler este ensaio é o contrário do que Karl Marx disse na introdução do seu livro Manifesto do Partido Comunista:

A história da sociedade até hoje tem sido a história das lutas de classe.
     
     É dizer que na verdade a história das civilizações que experimentaram a liberdade econômica, é a história da cooperação entre os indivíduos. 






     

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