República Popular da China, parte 1



  • População: 1,386 bilhões (1º país mais populoso do mundo) - Censo chinês
  • Extensão territorial: 9,6 milhões de quilômetros quadrados (3ª maior extensão terrestre do mundo) - Wikipédia
  • PIB 2017: USD 12,24 trilhões (2ª maior economia do mundo) alta de 6,86% em comparação ao ano anterior. - Banco mundial
  • PIB per capita 2017: USD 8.000 - Banco mundial
  • 1º maior exportador de bens do mundo (USD 2,011 trilhões) - The World Factbook 2016
  • 2º maior importador de bens do mundo (USD 1,587 trilhões) The World Factbook 2016
  • Sistema politico: República socialista, representada pelo Partido Comunista da China (PCC)

            Até que ponto pode chegar a ambição de uma nação? O que realmente diferencia um país: Um grande sonho ou a disposição de seus habitantes de atingirem-no? A cultura milenar chinesa, nos ensinará algo?


        “Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando um machado”. – Provérbio Chinês

            É assim que começaremos este artigo, um provérbio que explica a atual fase da China, um crescimento assustador e em tempo recorde, embora, pareça mais um editorial do “Financial Times” para falar sobre a estrutura econômica adotada por um governo. O objetivo deste texto, vai muito além da apresentação de dados ou uma crítica ao regime adotado, pretendo trazer e conectar a vocês leitores, uma visão de país, de nação, tão peculiar, complexa e rica!

            Nesta última semana, embarquei em uma profunda jornada para tentar entender o motor de crescimento chinês, como se sabe, assim como tudo na China, os dados fornecidos, são confusos, complexos e que exigem uma análise rigorosa. Exatamente por isso, recorri a inúmeras fontes de respeito, tanto internacionais, como os editoriais brasileiros.

Para se ter uma ideia do volume de dados que foi recolhido, no processo de produção do texto, percebi que teria de produzir duas partes, para melhor compreensão do tema. Nessa primeira parte do texto, mostro as engrenagens chinesas. O que move o motor de crescimento chinês? Quais as suas ambições? Que desafios enfrentam? Em um primeiro momento, são essas algumas perguntas que pretendo responder. Já na segunda parte, irei apresentar os resultados obtidos das estratégias adotadas. Números, dados, gráficos e estatísticas. A ideia é tentar contextualizar as duas formas de comunicação econômica, “ideológica e número-logica” ...

O dia 18 de outubro de 2017, foi quando aconteceu o 19º congresso do Partido Comunista da China. Um dia histórico e que abriu os olhos do mundo para o plano de seu governante chinês, Xi Jinping.         

 O socialismo com características chinesas e o sonho chinês penetraram profundamente no coração das pessoas; o conceito de valores-chave do socialismo e a excelente cultura tradicional chinesa se difundiram amplamente e as atividades de massas fomentadoras da civilização espiritual se desenvolveram com solidez.”¹

          Esse é um dos trechos de seu discurso, ao iniciar mais um mandato, Xi Jinping se consolida como um dos homens mais poderosos do mundo. “Socialismo com características chinesas”, assim é definida guinada do país para ter uma meta ambiciosa: Se tornar a maior superpotência global até 2049, ano do centenário da revolução chinesa.

            Para quem não sabe, a China já foi um dos países mais desiguais e pobres do mundo. Nos últimos 40 anos, após algumas reformas e uma espécie derivada da economia de mercado, mais de 850 milhões pessoas saíram da extrema pobreza². São quase 1 bilhão de chineses inundando os mercados globais com as suas demandas. Mas como o país pretende chegar a ser uma superpotência de alcance global e superar os americanos? Exercendo ainda mais influência na região da Eurásia, sudeste asiático e ocupando alguns vácuos deixados pelos Estados Unidos (sair de acordos multilaterais e deixar de exercer um papel em nações subdesenvolvidas).


Ásia Central (Eurásia)


Sudeste Asiático (dê zoom para ver a imagem) 
      

           Regiões de extrema importância, principalmente pelas conexões com o norte europeu, parte do oriente médio e acesso a portos. Como se dará esse processo de inserção? Através de um “plano Marshall” a moda chinesa, batizado de “Um cinturão, uma rota”.

"Um Cinturão, Uma Rota" é de longe o projeto de construção e desenvolvimento mais ambicioso da história da humanidade e resultará em um gasto estimado em algo entre US$ 12 trilhões e US$ 14 trilhões em dez anos. A ideia básica é construir vários tipos de infraestrutura - trem de alta velocidade, estradas, portos, redes elétricas, banda larga, parques industriais, cidades etc. — da Ásia ao Norte da Europa. Ele vai seguir dois caminhos: o primeiro através da Eurásia (Ásia Central) e o segundo do Sudeste asiático, passando pelo Sul da Ásia e pelo Norte da África e pelo Sul europeu”. - David Shambaugh, Professor da George Washington University, em entrevista ao jornal O Globo³.

            A China é uma economia de manufatura, de acordo com o The World Factbook de 2016, são os maiores exportadores do mundo e segundo maiores importadores. A participação no PIB mundial por poder de compra já de 18%, maior que os americanos, que estão em segundo lugar com 15%*, diz o FMI e a OCDE. Economia de manufatura, baseada em exportação de produtos primários, importação de produtos de valor agregado e investimento pesado do estado em infraestrutura. E falando em infraestrutura, veja o gráfico abaixo:
                   Consumo de concreto da China, desde 2011**
         De acordo com o relatório global de cimento, a China consumiu de cimento em 3 anos (2011 a 2013) o que os Estados unidos consumiram durante todo o século XX. Muito desse consumo é para expandir suas linhas de trem bala (30.000 quilômetros até 2022) e construir obras gigantescas, como a maior hidrelétrica do mundo, 3 gargantas, os números dessa obra, são tão impressionantes como o próprio país;

- 1,5 milhões de pessoas reassentadas.
- 600 km de rios represados.
- 180 metros de altura.
- O elevador de barcos consegue subir e descer até 3.000 toneladas em um percurso de 113 metros.

Usina 3 gargantas, elevador de barcos, já funciona a mais de 20 anos.²



Deu pra ter uma ideia da grandeza dos chineses? Todo esse crescimento, esses poucos números apresentados, foram sustentados também, por anos de superávit comercial, o FMI estima que a China tenha mais de 3 trilhões de dólares em reservas internacionais. Porém, os números estão mudando e com todo crescimento rápido, se vem desafios, e que tão grande quanto o crescimento, são os problemas. Veja algum dos editoriais brasileiros:

Editoriais Brasileiros sobre a China***
           
            A crise devastadora de 2008, que causou enormes prejuízos financeiros para o mundo e principalmente, países emergentes, fez com que muitos países recorressem ao endividamento para sobreviver. Observando todo esse movimento, a China rapidamente inundou o mercado por vários tipos de demandas, justamente por isso, muitos especialistas apontam que a próxima crise financeira global, virá da Ásia, pela desaceleração econômica e o alto nível de endividamento (trarei esse número no próximo artigo). Devido a mão pesada do estado, seguindo o modelo previamente conhecido como keynesianísmo, com planejamento central em uma figura do Partido Comunista, que dá subsídios direcionados, encorajando a iniciativa privada a investir e ao mesmo tempo os sufocando, as mais de 150.000 estatais, política monetária expansionista, regime autoritário, baixa produtividade do trabalho e entre outros, as consequências estão sendo preocupantes. Pela frente se tem o aumento da dívida externa, supercapacidade industrial, mercado de ações inflados, desigualdade social, distrato com o meio ambiente (a China é o maior poluidor do planeta, 85% das suas cidades tem o ar impróprio, responde por até 24% das emissões de gases poluentes)⁴, alto índice de corrupção e outros inúmeros desafios.

            Como resolver essa equação complexa? Analistas acreditavam que um movimento da China comunista, para um país mais aberto, ocorreria de maneira natural, com a troca de uma economia de manufatura para serviços, um modelo baseado em exportações, para um modelo de consumo interno. Mas não foi isso que Xi Jinping deixou claro em seu discurso, ao concentrar mais poder para si e provavelmente, com as mudanças feitas na constituição, se perpetuar no poder até o fim de sua vida. Acontece que as estratégias até esse momento, já geram alguns resultados, positivos e negativos, a bússola a ponta que, para a China continuar no caminho certo, só uma economia de mercado, cedendo mais liberdade a iniciativa privada, fará com que os milenares chineses, de fato, continuem crescendo. O que os resultados obtidos até agora, nos dizem? Poderá a China, um país de tradição antiga, nos surpreender? Isso e muito mais, nos próximos capítulos, ou, textos. 






Referências e fontes:

The World Factbook (CIA):
https://www.cia.gov/library/publications/download/download-2016/index.html

¹ Discurso de Xi Jinping:
https://operamundi.uol.com.br/politica-e-economia/48290/leia-integra-do-discurso-de-xi-jinping-na-abertura-do-19-congresso-do-partido-comunista-da-china 

² Dados da extrema pobreza e sobre a hidrelétrica 3 gargantas:


³ Entrevista de David Shambaugh ao jornal O Globo:
https://oglobo.globo.com/economia/endividamento-da-china-a-maior-ameaca-para-economia-do-pais-21975865

* Partipação PIB mundial por poder de compra: 
Edição revista Exame 1149, páginas 124-27

** Consumo de cimento:
https://www.cemnet.com/Publications/Item/172310/the-global-cement-report-11th-edition.html

*** Reportagens:
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,divida-da-china-e-uma-grave-ameaca-para-a-economia-mundial,70002162099
https://www.valor.com.br/internacional/5930499/agencia-ve-alta-alarmante-do-endividamento-na-china
https://istoe.com.br/divida-externa-da-china-cresce-204-em-2017-e-atinge-us-1711-trilhao/
https://oglobo.globo.com/economia/endividamento-da-china-a-maior-ameaca-para-economia-do-pais-21975865
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/06/08/economia/1528478931_493457.html

⁴ China poluente:
Revista Exame edição 50 anos, páginas 80,83



  




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