Kéfera e o imbecil pós moderno





   Começo este texto de forma ranzinza. Talvez você se identifique e concorde comigo, talvez me julgue um reclamão. De todo modo, preciso me expressar com esta frase, que saí como uma esbaforida, falada com a tonalidade que a falta de esperança possui:

   -Ah, a pós-modernidade…

   Que era é essa na qual estamos vivendo? Onde todos acreditam ser sacrossanto quaisquer opiniões que emitam, mesmo que essas não sejam minimamente embasadas?

   Igual a tudo na vida, toda e qualquer coisa boa, carrega com sigo seu ônus. A bondade nunca é gratuita. É uma forma de punição pelo prazer, acredito. Com a internet é exatamente assim.
   Tivemos uma conquista gigantesca em democratizar os meios de comunicação, em tirar a hegemonia da mídia tradicional, sempre parcial e mentirosa. Hoje, permitimos que todos os lados possam falar, e inclusive nos coloco nesse quesito. O Ensaísta é um fruto do movimento democrático à favor do debate. E foi a internet que nos possibilitou isso.

   Por outro lado, temos a situação que o Umberto Eco descreve de forma astuta, sincera e perspicaz:

-As redes sociais deram voz aos imbecis.

   Imbecis são uma parte fundante e necessária da espécie humana. Você está vivo agora por conta de algum imbecil, que em algum ponto de sua árvore genealógica, permitiu que houvesse uma continuação de sua linhagem. O pior dos imbecis - neste quesito - tem a mesma importância que o mais sábio dos homens.
   Porém, imbecis só são imbecis pois se mostram como tal. Ou seja, expressam porcarias as quais, enfadonhamente temos de ouvir. Agora, o imbecil pós-moderno demonstra um grau à mais em sua total imbecilidade. É o tipo que repete algo, algum conteúdo, como a verdade estritamente una e incontestável. Lógico, ele não entende aquilo que fala, mas por ouvir de outros imbecis, de forma arrogante acredita que deva defender tal posição ou opinião. Além do fator da básica idiotice, temos também os pontos relacionados ao analfabetismo funcional e dissonância cognitiva que acompanha quase a totalidade dos millenniums e pós-modernos, mas isso é assunto pra outro artigo.

   E não. Este texto não é só um reclame de um ranzinza qualquer. Há um ponto que acredito que seja de relevância (mas podemos e devemos cogitar a possibilidade, de que isso só seja a opinião de mais um imbecil).

   Na semana passada, a youtuber e agora atriz Kéfera Buchmann, esteve presente no programa global "Encontro com Fátima Bernardes" e para variar, numa discussão sobre feminismo, protagonizou uma cena lamentável. Basicamente, Kéfera tratou com tremendo desdém e desrespeito, um popular da plateia que ousou opinar sobre o dito feminismo. Segundo ela, como um homem que ele é, não possui o lugar de fala para opinar sobre o assunto, e nessa discussão, o acusou de dois termos de típico uso de um imbecil pós-moderno. São eles: mansplaining e manterrupting.
   Como obrigação de ofício, fui atrás das devidas definições. Mansplaining é quando um homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio à uma mulher. Já o manterrupting diz respeito a situações onde o homem interrompe uma mulher de maneira desnecessária.

   Bom, há uma infinidade de problemas relacionados à essas definições e eu não poderia abordar todos, porém há alguns gritantes que precisam ser explicitados. Por exemplo, eles são altamente limitados, levando em consideração apenas os gêneros, deixando de fora todos os métodos da linguagem,os colocando apenas perante uma perspectiva marxista de luta de classes. Ou seja, num diálogo é comum haver interrupções e explicações óbvias, isso é um atributo de nossa linguagem, e inclusive partem de ambos os sexos.
   Enfim, há outros graves problemas nessa situação toda. Primeiramente, a atriz utiliza do chamado argumentum ad hominem, que basicamente é a situação de debate onde se a ataca a pessoa e não seus argumentos, e ao fazer isso, Kéfera acusa o garoto de manterrupting, o interrompendo, e logo após volta a interromper a fala do outro novamente, mas dessa vez da apresentadora Fátima Bernardes. Aí pergunto: há realmente um significado dessas palavras para ela?
   De forma contundente eu digo: não!

   Mais uma pós moderna, com a necessidade de se provar intelectualmente superior. E da forma mais canalha possível, Kéfera promoveu uma humilhação gratuita à alguém que claramente estava em posição inferior à ela. Será que ela não notou que a rica, branca, famosa, que estava num ambiente amigável, com o devido apoio era ela e não o pobre do garoto? Mas e a defesa das minorias, fica aonde? Não fica. Kéfera, democraticamente impediu um garoto comum de se expressar. Mas lembre-se: democraticamente.

   Enfim, finalizo esse mal humorado texto e suplico aos imbecis de plantão, que contenham suas bobagens à si.

   Então, não se surpreendam caso não vejam outros textos meus por aqui.


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