Educação obrigatória é um crime





Texto de autoria do colaborador Pedro Paulo Dias dos Santos 

Para falar sobre educação, devemos saber como se dá o processo de aprendizagem.

Toda criança nasce desprovida do poder de raciocínio, o qual distingue os homens dos animais. Sabendo que a criança poderá se tornar um ser humano adulto, ela tem, potencialmente, a capacidade de raciocinar dentro dela.
A medida que a criança cresce ela cria fins e descobre meios para alcançá-los. Esses fins são baseados em sua personalidade e seu conhecimento dos meios é baseado no que aprendeu ser mais apropriado.
Quando ela se torna adulta, ela desenvolveu suas faculdades o quanto pode. Todo esse processo de desenvolver as facetas da personalidade do homem é sua educação.

Para desenvolver as facetas de sua personalidade a criança não necessita de instrução formal sistemática, pois isso está dentro do espaço direto de sua vida cotidiana, ou seja, não exige grandes exercícios das capacidades de raciocínio. Porém, para desenvolver o conhecimento intelectual, que está fora do espaço direto de sua vida cotidiana, envolve um exercício muito maior de seu cérebro. Para desenvolver esse conhecimento é necessária instrução sistemática, uma vez que o raciocínio progride em etapas lógicas ordenadas, organizando observações em um corpo de conhecimento sistemático. A criança, então, tem que desenvolver capacidades de raciocínio e de observação.
Necessitando de instrução sistemática ela tem 3 opções, o livro, o instrutor e a combinação livro e professor.

O livro apresenta assuntos de forma completa e sistemática, já o instrutor conhece o livro e lida com a criança diretamente e pode explicar pontos de dúvida e de difícil compreensão.
A combinação do livro e instrutor é a melhor para a instrução formal.
Serão necessárias 3 ferramentas básicas, a leitura, a escrita e a aritmética.
Através da leitura ela poderá estudar ciências naturais, história e geografia e depois economia, política, filosofia, psicologia e literatura.
A escrita irá ajudar no aprendizado, pois ela ramificará esses vários assuntos em ensaios e composições.
A aritmética irá lhe possibilitar usar números simples até as partes mais desenvolvidas da matemática, sem falar que ela poderá ajudar no processo de desenvolvimento no raciocínio lógico da criança.
A principal dessas 3 é a leitura, e para aprendê-la o alfabeto é a ferramenta principal e lógica.
Agora, falando sobre a personalidade, cada criança tem a sua, o que permite no futuro ter um grande espectro da especialização da divisão do trabalho. As habilidades e interesses de cada criança é natural que seja variado. E tentar uniformizar os interesses é um crime contra a criança, uma vez que nega os princípios fundamentais da vida e do crescimento humano.

Deve ficar claro que nem a razão e nem a criatividade podem funcionar numa atmosfera de coerção. Isso quer dizer que, o melhor tipo de instrução formal é aquele que é adequado para a personalidade individual da criança, ou seja, a instrução individual. Somente na instrução individual as potencialidades humanas podem desenvolver em seus níveis mais altos.

Isso quer dizer que existe uma grande injustiça no Brasil que é proibir que os pais ensinem seus próprios filhos ou paguem um instrutor para os ensinar. Além dessa injustiça tem uma outra que se chama Base Nacional Comum Curricular, uma vez que ela impõe padrões uniformes ela causa um sério dano à diversidade de gostos e aptidões humanas. Mais ainda: ela força crianças com pouca capacidade de raciocínio à escolaridade, e isso uma ofensa criminal às suas naturezas. Sem falar que indiretamente a Base Nacional Comum Curricular não permite que surjam escolas diferentes para cada tipo de demanda, uma vez que cada escola deve seguir essas imposições. Em decorrência disso, todas as crianças da nação serão obrigadas a seguir os mesmo conteúdos, mesmo que elas tenham personalidades e aptidões diferentes.

Então vem a questão, quem deve ser o supervisor da criança? Os pais ou o Estado?

Os pais são os tutores naturais da criança, uma vez que foram eles que conceberam-na sob um contrato legítimo entre homem e mulher. Já o Estado não tem relação alguma com a criança, sem falar que ele decreta o que deve ser obedecido sob risco de prisão. A criança, sendo tutelada pelo Estado, irá crescer sob as asas de uma instituição que repousa sobre a violência e restrição. Tirania de modo algum é compatível com o espírito do homem, já que ele exige a liberdade para seu pleno desenvolvimento.
Com a educação e a tutela exclusivamente sendo dominada pelo Estado, surge uma raça passiva de gados servidores do Estado, onde no livre mercado seriam homens independentes e com conhecimentos diversificados.Além do mais o controle estatal da educação promoveu o impedimento à educação ao invés do verdadeiro desenvolvimento do indivíduo.
Atualmente no Brasil a educação é compulsória, caso as crianças não sejam mandadas para as escolas privadas, elas devem ir para a pública, o que nos leva a pensar que grande parte das crianças da escola pública não queriam estar lá, mas a lei obriga seus pais ameaçando-os de prisão ou de sequestro institucionalizado de seus filhos.
Além do mais, a educação obrigatória força as crianças com pouca capacidade de raciocínio à escolaridade, porém isso é uma ofensa criminal às suas naturezas, pois elas, em sua maioria, não querem estudar e não conseguem progredir intelectualmente em um sistema no qual é impossível que ela seja atendida e ajudada em sua particularidade.
Já dizia Isabel Paterson: 

Um sistema de educação obrigatória, financiado pelos impostos, é o modelo completo de um Estado totalitário.

O economista Murray N. Rothbard em seu livro “Educação: Livre e Obrigatória” fez a seguinte analogia: 
O que pensaríamos sobre uma proposta do governo, federal ou estadual, de usar o dinheiro dos pagadores de impostos para criar uma rede nacional de jornais públicos e obrigar todo o povo, ou todas as crianças, a lê-los? O que pensaríamos se, além disto, o governo proibisse todos os jornais que não se encaixassem aos “padrões” do que uma comissão do governo acha que as crianças devem ler?

É evidente que um proposta dessa seria, por muitos, considerada um horror e um ataque à liberdade de expressão, porém essa é exatamente a ação do governo em relação à instrução formal. Ele regula o que é escrito nos livros, o que deve ser ensinado e como deve ser ensinado, regula quem pode ou não trabalhar como instrutor, e, ainda mais, faz tudo isso com o dinheiro dos “contribuintes”. A questão que está sendo colocada é se a liberdade escolar é tão importante quanto a liberdade de expressão, a educação obrigatória tem que ser vista com maus olhos e ser repudiada ao máximo, uma vez que ela irá moldar toda sociedade da forma que o Estado quiser.

Referência:


M.N. Rothbard - Educação: Livre e Obrigatória - Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013



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