Editorial: Democracia nossa de cada dia



A pior ditadura é a do poder judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.

- Ruy Barbosa

É manhã de segunda-feira.
 O cheiro do café coando inunda toda a casa. Na chapa, selado com a manteiga, há o pão. O sagrado pão nosso de cada dia.


 Bom, o pão é mais que um simples alimento. Ele é o símbolo do sustento, da sadia sacies, da paz, da vida. Costumeiramente usado em metáforas, até mesmo nas de Cristo:

 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.


João 6:51

 Enfim, necessitamos do pão.
 Politicamente falando falando, o dito pão que precisamos para manter eretos, os pilares civilizacionais do que entendemos como cultura ocidental, é a conhecida democracia.
 
 Mas ela realmente está sendo servida para nossa sacies pelas manhãs?


 A democracia brasileira decantada em prosa e verso e largamente bocejada por nossa mídia e por nossos  intelectuais pedantes, de forma quase que orgásmica, não é este céu na terra e está longe de seu pleno funcionamento.


Para ilustrar essa afirmação, voltemos alguns dias atrás. Terça-feira, dia 04 de dezembro, fomos surpreendidos com um vídeo que rapidamente correu pelas redes sociais. Nele, vimos o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, num vôo de carreira, ser surpreendido por uma homem cuja a revolta foi expressa da seguinte forma:



Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês”.



 Esta manifestação pacífica e legítima foi encarada pelo ministro como uma afronta ao STF e seus pertencentes, e numa atitude extremamente autoritária, o sr. ministro indagou ao rapaz: - você quer ser preso? E logo em seguida, pediu que chamassem a polícia federal para encaminhá-lo à depoimento.


 Pois bem. Existiu crime aqui?
 Foi apenas um legítima manifestação pública de um cidadão descontente com um órgão federal, cujo o sustento provém inteiramente da contribuição compulsória de cidadãos comuns, como aquele rapaz. É errado indignar-se? Então, em síntese, arcamos com um órgão que rotineiramente se mostra contra os interesses da nação, e ainda sim, não podemos minimamente crítica-los?


 Ah, a democracia brasileira… Quão pleno és o teu funcionamento.


 Assim caminha o Brasil e os brasileiros. Pagamos pelo pão perfeito que nos é prometido, porém, em troca ganhamos um pão mal assado, quase indigerível. E além disso, de forma sorridente devemos ouvir “nossas instituições estão em pleno funcionamento” e isso sem se indignar, viu?


(...) O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
 Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.


 E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.


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