Viva a República?



Há 129 anos atrás, no dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, junto com a cavalaria do exército marchava até a Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, onde destituiu o Imperador e instaurou um governo provisório republicano.
Bom, antes de discorrermos sobre o que vem sendo a República brasileira, vale voltarmos no que era o Brasil antes de sua proclamação.

A Monarquia brasileira, principalmente durante a regência de Dom Pedro II teve diversos êxitos. Muitos deles foram apagados de nossa história, como forma de expurgar qualquer resquício positivo que nos ligasse ao regime monárquico, mas bom, esses feitos devem ser lembrados e devidamente reconhecidos como grandes contribuições para nosso país.
Dentre eles, ressalto aqui a luta dos monarquistas da época e também do Império, para o fim do regime escravocrata. Mesmo que a academia historiográfica em unanimidade não reconheça isso, D. Pedro II fez um grande esforço para tal, com a promulgação das leis do Sexagenários e do Ventre Livre, essa última que fazia com que os filhos de mães escravas nascessem livres, após a instituição da lei. Foi a primeira lei abolicionista do Brasil, que abriu caminho para que mais tarde houvesse a promulgação da Lei Áurea, que deu por definitivo a liberdade aos escravos.
Além disso, tivemos uma pujança econômica no país no período monárquico, onde fomos a 4° economia mundial, sendo o país com maior quilometragens de estradas de ferro do mundo, dentre outas conquistas.
Enfim, com a instituição da República em 1889 tivemos nossa primeira constituição, essa promulgada em 24 de fevereiro de 1891.
O então primeiro presidente da República, Marechal Deodoro, não se sentiu confortável em nenhum momento com o jogo democrático, chegando a fechar o congresso por seu descontentamento e posteriormente renunciando ao próprio mandato. Isso tudo denota bem o que é a Republica brasileira, desde a sua instituição: uma sequência de governos autoritários sujeitos à oligarquias poderosíssimas que submetem o governo e a sociedade a seus interesses politico- econômicos.
A palavra Oligarquia vem do grego Oligarkhía, que significa "governo de poucos" e é usual na maneira de fazer política em nosso país. Desde a república velha, com a dicotomia das indústrias da pecuária e do café, que alternavam o poder entre si, o Brasil vem sido submetido a desmandos de classes, que fazem com que fiquemos atrasados em relação ao resto do mundo. Países oligarcas como o nosso, são marcados por monopólios, oligopólios, quebra do livre mercado e da livre concorrência e alta taxação tributária. Exatamente como somos hoje.
Apesar da evolução natural, pouco mudamos em aspecto político. Dos anos 10/20 pra cá, o que mudou foi a formas desse coronelato. Não mais café e pecuária, fomos para a gigantesca oligarquia das grandes empreiteiras, que junto de agentes do governo,  promoveram um assalto maciço à nação.
Desde a proclamação da República, o Brasil vem passando por constantes quebras no jogo político. Nossos pilares institucionais são de areia.
Precisamos de equilíbrio de poderes, onde nenhum se sobressaia ao outro, uma constituição que reconheça os direito naturais do homem e que deem ao povo legitimidade e poder. Precisamos que a burocracia pare de sufocar-nos.

Há 129 anos atrás, na Praça da Aclamação gritavam: "Viva a República, viva a República!"
Antes uma exclamação, hoje uma interrogação: viva a República?

Referências

Porque o Brasil é um país atrasado? / Luiz Philippe de Orleans e Bragança - Ribeirão Preto- SP/ Novo Conceito Editora, 2017

Série de Dcoumentários - Brasil: a última cruzada - Produção de Brasil Paralelo

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