Para onde vai os Estados Unidos?


Dia 06/11/2018, a primeira terça-feira de novembro, tivemos as tradicionais eleições intermediárias nos Estados Unidos. Tradição não só as eleições, como o famoso embate de Republicanos vs Democratas, disputa essa que visava os cargos para senadores, deputados e governadores. Sem entrar no mérito dos principais personagens e sua importância para o cenário político norte americano, tivemos um resultado considerado “morno” para ambos os lados. Os Democratas depois de 8 anos foram maioria na câmara, já os Republicanos ampliaram sua margem no senado e tiveram a maioria simples dos governadores. Essa introdução foi apenas para explicar a ponta do “iceberg” que é o cenário político dos EUA e não só a política com a presença de Trump e os contundentes Democratas, mas também, o cenário global que os americanos se encontram. Para refrescar a memória de todos, vamos à algumas questões:

- Primeiro e um dos mais importantes assuntos, é a guerra comercial com a China, aliás, negociação muito dura e que põe no ar a indefinição de estarem próximos de um possível acordo.

- Segundo e não menos importante, os imigrantes que pretendem entrar no país.

- Terceiro, temos as sanções aplicadas no Irã (proibindo a importação de petróleo, realização de negócios com bancos iranianos e entre outras restrições) por Donald Trump, visando negociar um acordo nuclear mais completo o que faz com que naturalmente os americanos tenham que firmar uma parceria com Arábia Saudita, porém, o príncipe saudita Mohammad Bin Salman é acusado por outras nações de ter mandado matar brutalmente o jornalista Jamal Khashoggi no consulado Árabe na Turquia.

Se perdeu no meio do caminho? Uma explicação modesta dessa situação é que os Estados Unidos comercializam petróleo com Irã, com as sanções que estão sendo aplicadas, automaticamente deverá recorrer a outro parceiro comercial, neste caso, a Arábia Saudita, maior produtor de petróleo do mundo. Com o escândalo do assassinato do jornalista e a suposta participação do príncipe saudita de ter sido o mandatário disso, as nações espalhadas, questionam se é moralmente certo, uma parceria com um país que é capaz de matar covardemente um civil indefeso. Situação muito delicada e que expõe o quão profundo e complexo é o cenário externo para os norte-americanos.

Existem ainda outras questões pertinentes, porém, vamos ao principal. Para onde vai os Estados Unidos? Os resultados das eleições mostraram que não somente a classe política está dividida, mas também um país que no máximo, firmou um muro ainda maior. Quem é adepto a Trump, logo aos Republicanos, confirmaram ainda mais esse compromisso e do outro lado, a crescente dos Democratas em zonas mais pobres, mostra que chegou ao fim a agenda unilateral de Trump... O congresso terá oposição!

Em teoria, o que isso significa? No curto e médio prazo podemos descartar que medidas extremas de ambas as partes sejam tomadas, como: Muro na fronteira com México e o fim do Obamacare. Já no longo prazo, devido a ascensão democrata, é prevista uma grande tensão entre os partidos, haja visto que, agora com maioria na câmara, a fiscalização será mais rígida e a estrutura para poder investigar a possível “interferência russa” nos resultados das eleições para presidente, será maior. Ainda nos bastidores, a possibilidade de uma articulação para impeachment, é muito pequena, mas, real. 

O destino dos Estados Unidos, está diretamente ligado a capacidade de diálogo que se terá entre situação e oposição. O cenário atual no campo da economia é de aumento no déficit fiscal frente ao PIB, aumento da taxa de juros, aumento modesto do poder de compra e uma taxa baixíssima de desemprego. Já em outras questões, temos a tensão das relações dos Estados Unidos com o resto mundo, a imagem do presidente Donald Trump dentro dos grupos considerados minorias, a crescente tentativa de mais imigrantes entrando no país e a onda de Fake News que está só crescendo. A análise que pode ser feita agora é que teremos uma oposição forte, rígida e que fará o senado votar pautas com a qual se elegeu, pautas de cunho social (aumento do salário mínimo, remuneração de horas extras...), já o senado, terá dificuldades técnicas pela frente, como aprovações de orçamentos e continuidade na agenda de negócios.

Finalizo o texto com uma provocação, resultado da análise final do que foi essa eleição intermediária, será que uma volta a era Obama? E por fim, você considera que seria bom ou ruim? Como o mercado, o mundo e os norte americanos vão reagir? Essas são cenas para os próximos capítulos.




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