O que se vê e o que não se vê



Um cidadão comum está dirigindo seu veículo em uma avenida movimentada, nesta avenida passam diversas pessoas, em suas mais variadas faixas etárias: executivos, famílias inteiras. Você está neste meio. Porém no meio do caminho, o carro no qual se encontra o cidadão invade a calçada e atropela diversas pessoas, deixando vários feridos, levando alguns até o óbito. Você está de cara com o carro batido, por pouco não lhe acertou, viu em microssegundos toda a sua vida passar pelos próprios olhos. Qual seria sua primeira reação?
 “O indivíduo estava embriagado, causou esta tragédia, prendam-no!”
  Não é de se julgar sua reação, afinal devido ao grande histórico nacional, geralmente esta é a primeira impressão ou dedução que uma pessoa teria. Porém passada toda esta tragédia, você descobre que o cidadão que dirigia o carro teve um mal súbito repentino, inesperado, de modo que perdeu a consciência durante o volante e causou a tragédia.
Pois bem, o porquê desta pequena história? Para entender vou colocar uma famosa frase de um economista Frances, Frédéric Bastiat:
“Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas”, traduzido:
O que se vê e o que não se vê.
Mas qual a relação desta frase? Bastiat usava esta frase para orientar que em todos os fatos existe algo que a princípio não é visto, de modo que é necessário um conhecimento mais profundo antes definir opiniões.
Tendo em base a frase de Bastiat, a princípio na história que contei acima, o que se vê?  Devido a gravidade do acidente, a princípio só se viu um cidadão que causou uma tragédia, de modo que você optou por julga-lo. E o que não se vê? Não se vê que o mesmo teve um problema cardíaco de modo que inevitavelmente perdeu o controle do carro.

Mas o que isso tem a ver com o programa Mais médicos?
Para isso é necessário primeiro entender o que é o programa Mais médicos.
O plano primeiramente foi proposto por Cuba a seus amiguinhos do PT, especialmente à Dilma Rousseff pouco antes de 2013. O programa tinha como objetivo lúdico trazer médicos cubanos para o país no intuito de atender regiões carentes, até aí parece simples e louvável. Mas será que Cuba era tão boazinha a ponto de emprestar médicos para ajudar o Brasil que tem seu sistema de saúde em calamidade?
Não, nem um pouco, primeiro que as negociações foram sigilosas.
 Como assim? Se o objetivo é enviar médicos, porque esconder do povo?
 Para evitar um clamor público, pois o objetivo central de Cuba era gerar uma nova fonte de renda para o regime Castro, como? Os médicos seriam uma espécie de concessão, Cuba os emprestaria sob sérias condições, em que parte do salário do médico seria enviado diretamente para Cuba. Ai você pode indagar, seria como um imposto? Não parece tão ruim assim. Antes fosse!

 Tais negociações manterão como base que para o médico o valor seria de U$ 1000,00 e o restante que variava em U$ 4000,00 e U$ 8000,00 seria para o governo de Cuba. Dando um exemplo, pegando a média desta negociação, seria como se o seu salário fosse 8 mil reais, e destes 8 mil, 2 seriam seus, os outros 6 seriam enviados a Cuba, e as condições pararam por aí? Não, nos anos 90 Cuba tinha feito uma parceria semelhante com o governo FHC, porem nos final do contrato muitos médicos de recusaram a voltar a Ilha, cerca de 400 ( para vocês terem noção de como o socialismo é bom), para que o mesmo não ocorre-se novamente Cuba colocou como regra central que o governo proibisse os  médicos caso quisessem ficar no Brasil ao fim do contrato, mesmo que tivessem condições necessárias para ficar, como família brasileira, outro ponto focal foi o fato de não poder trazer suas famílias que residiam em Cuba, provavelmente no intuito de criar uma corrente a Ilha.
Mas é claro que uma negociação de tal magnitude precisaria passar pelo congresso, e mesmo com uma maioria canhota, dificilmente passaria devido as drásticas exigências trazidas por Cuba. Então como articulação, o governo contratou de última hora empresas privadas que contratariam os médicos cubanos, a negociação envolveu vários detalhes, mas resumindo, uma vez que um médico Cubano trazido resolvesse entrar com uma ação judicial, ele não processaria o Brasil, mas sim a empresa contratada pelo governo. Resumidamente, este foi o início do programa Mais médicos.

Agora, relembro a frase de Bastiat que usei no começo do texto:
“O que se vê e o que não se vê”


Para um leigo no assunto, o que se vê a princípio no programa mais médicos?

Vemos uma iniciativa de trazer médicos.

O que não se vê? Leia um trecho abaixo sobre a vida de Abílio Estevez, um famoso escritor Cubano:

“Politizaram nossas vidas; nos obrigaram a vigiar uns aos outros; nos forçaram a viver em estado de guerra permanente contra um inimigo que nunca nos atacou; e viver em condições de guerra; nos exigiram entender apenas uma filosofia, o marxismo-leninismo; entendemos que a verdadeira vida estava em outro lugar e aprendemos que fugir era a única solução “.
 
Após ler este texto, começou a entender o que não se vê?
O que não se vê é o porquê na década de 90, os médicos não quiseram voltar para Cuba, o que não se vê é o fato de os mesmos terem famílias que são impossibilitadas de vir para o Brasil baseadas em um regime que como nos disse Abílio no texto acima, força seus cidadãos a viver constantemente em um estado de guerra sem estar em uma, e os força a apenas uma filosofia, de modo que fugir é a solução.

Neste mês o futuro Presidente Jair Bolsonaro, dispôs como regra para uma renovação do contrato apenas 3 condições centrais:
·         ● Que os médicos recebam seu salário integral
·        ● Que os médicos possam trazer suas famílias
·         ● E que passem pelo teste de aptidão (o Revalida), teste que não foi aplicado na vinda dos médicos.
Achou algo absurdo?
Sabe qual foi a decisão de Cuba? Retirou o programa!Este é o socialismo, sem ressalvas.
Após esta decisão muitos começaram a criticar a ação, alegando que estes médicos atendiam áreas carentes e de difícil acesso ao Brasil, áreas que segundo eles os médicos brasileiros não se dispõem a ir. Este tipo de argumento me leva a apenas uma indagação?
Os fins realmente justificam os meios? Pois se para preencher áreas pobres e necessitadas é necessário praticamente escravizar médicos, fica difícil acreditar neste argumento.

Solução?
De fato esta é uma nova missão ao novo governo, preencher estas áreas, buscar meios de levar estes médicos por meio do incentivos, talvez com salários maiores, oferecendo até condições melhores de estadia.  E nós brasileiros temos de cobra-los
Para finalizar, em uma conferência a universidade de Chicago o Professor e economista Larry Sechrest proferiu as seguintes palavras:

“No mundo atual, integridade é relacionada a dogmatismo e a verdade é algo maleável e mutável. “
Baseando estas belas palavras e conectando com as palavras de Bastiat, a verdade é uma junção do que se vê e o que não se vê. Deste modo não deixemos que o dogmatismo a torne maleável a ponto de achar que as medidas trazidas anteriormente no Mais médicos sāo a solução correta.




Fontes:
https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/22/cultura/1419270489_447540.html

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/11/ministerio-da-saude-prorroga-inscricao-e-adia-chegada-de-medicos-a-cidades.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/11/telegramas-detalham-drible-no-congresso-para-brasil-e-cuba-criarem-o-mais-medicos.shtml

https://extra.globo.com/noticias/brasil/bolsonaro-diz-que-cuba-nao-aceitou-condicoes-para-continuidade-do-pais-no-mais-medicos-23234636.html

https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2964

Um comentário:

  1. Esse texto do que se vê é o que não se vê,é excelente é esclarecer o que realmente era por trás do mais médicos,na realeza trabalho escravo.

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