O que a arte tem de pior



Como a classe artística se tornou um gueto ideológico, intolerante e excludente.

Os últimos acontecimentos políticos ao redor do mundo, demonstraram que a guinada à direita é algo que ultrapassa fronteiras e defini-se como uma tendência mundial. A eleição de Donald Trump em 2016 e a vitória de Jair Bolsonaro a uma semana atrás, são dois exemplos muito eficazes para o discorrer desta matéria.
Os dois momentos acima tem várias similaridades entre si. Ambos candidatos auto intitulados de direita, que não faziam parte do stablishment político, com amplo apoio popular e o cerne da questão aqui levantada: forte rejeição por parte da classe artística.

Bom, as artes sempre tiveram papel importante nos rumos da história mundial. Desde a proximidade dos artistas clássicos com o clero e a nobreza até os movimentos europeus dos séc. XIX e XX, a arte se mostrou grande protagonista das mudanças, dos questionamentos e do simbolismo histórico.
Jean Michel Basquiat Loin, de 1982
Já na era contemporânea, a classe artística incorporou para si uma forte agenda da esquerda progressista. Isso é visivelmente notável quando se analisa, por exemplo, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ou por exemplo o movimento da arte conceitual ao redor do mundo. Falando por um espectro mais técnico, a questão da arte moderna se institui em desprezar toda a escola clássica de arte, e atacar o classicismo com o subjetivismo estético e conceitual. Ou seja, basicamente existe uma corrente que entendeu que o classicismo simboliza uma classe dominante e opressora e que quebrar com estes padrões seria uma forma de libertação social. Daí o movimento modernista simbolizado por artistas como Picasso, Matisse, Mondrian que mesmo que adeptos das novas composições artísticas ainda possuíam uma conexão com os clássico. Porém e posteriormente, surgiram movimentos como o pós modernista com Andy Warhol, Basquiat e companhia. Nota-se que cada vez mais se quebra a ligação com as belas artes para o experimentalismo e subjetivismo total da noção de arte e isso se aplica a todos os gêneros artísticos como teatro, musica, cinema, literatura e etc.

Bom, trazendo isso de volta para os dias atuais, o esquerdismo se manifesta para além do cunho técnico e performático das artes, ele se estabelece forte na militância politica. Aqui no Brasil, por exemplo, por ocasião da eleição presidencial, vimos, encabeçados por artistas, o surgimento do movimento #ELENÃO. Que era contra a eleição do candidato Jair Bolsonaro à presidência da república e militou fortemente para isso. Pois bem, não discorrerei sobre o apelo popular e a credibilidade disso perante a sociedade, porem o fato é que a classe artística quase em sua totalidade é composta por artistas identificados com a pauta esquerdista. E isso não tem problema algum a principio, o problema torna-se alarmante, quando esta classe artística vira um gueto ideológico, excludente e extremamente intolerante com o pensamento oposto.
Nesse estado atual em que nos encontramos, todo o meio se tornou um antro de militância  no qual todos aqueles que se posicionam contrários à esse pensamento hegemônico, são excluídos e desprezados, perdem relevância dentre o meio e são condenados ao ostracismo e esquecimento. Vale colocar aqui como exemplo, casos de cantores como Wilson Simonal, Lobão e Roger Moreira. Esses dois últimos ao demonstrarem ser de "oposição" criaram enorme inimizade perante a classe artística, perderam visibilidade na mídia e relevância artística perante esses detedores do poder artístico. Resumindo existe uma forte patrulha que, dependendo de seu posicionamento ideológico, o eleva a patamar de gênio caso tenha alguma similaridade política ou ao patamar de medíocre e reacionário caso discorde do pensamento unânime desta classe.
Esse tipo de comportamento  se configura num âmbito geral no meio artístico. Desde os maiores patamares e mais relevantes estágios da arte nacional, até os círculos independentes.

Entretanto, existe um respiro. Há artistas compromissados em produzir conteúdo que não se atem ao espectro ideológico dominante e corajosamente se injetam e demonstram um material de extrema qualidade artística. Um bom exemplo é o diretor Josias Teófilo, que dirigiu o longa documental "O Jardim das Aflições" sobre a obra do filosofo Olavo de Carvalho. Obra esta com uma qualidade estética e sonora invejável, composição de cena e fotografia com uma qualidade extrema e com um roteiro digno de um Tarkovisky. Além deste, houveram projetos como o filme "Bonifácio - O Fundador do Brasil" de Mauro Ventura além de outros que aos poucos começam a aparecer como uma alternativa ao atual stablishment artístico/ideológico nacional.

A arte antes de tudo é pluralidade.


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