Não é um filme, é o STF





"Guardiões da Constituição".
Seria esse um novo filme da MARVEL? Não leitor, brincadeiras à parte (não quero ser processado), os guardiões da Constituição são os Ministros do STF, que nada mais são que o órgão máximo do poder Judiciário, o artigo da constituição CRFB/1988 dispõe que:

 “Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição ...".

Considerando que a Constituição é um documento jurídico, foi adotado o método de Hans Kelsen, que basicamente diz que sendo a constituição tal documento, compete a profissionais da área cuidarem do mesmo. Simplificando, o STF, composto de juízes, garante que a constituição está sendo respeitada.
Por que entender isso é importante?Para você entender a importância de tais ministros, entendendo a importância e o tamanho da responsabilidade que os mesmos tem com o povo (afinal a Constituição tem como intuito proteger o Brasil e o seu povo), logo se entende que suas decisões serão inteiramente pautadas visando o interesse do cidadão brasileiro, defendendo o estado democrático de direito.
Pois bem, nesta semana o até então Senador e presidente da casa, Eunicio Oliveira do PMDB, (que não foi reeleito) pautou às escuras, de última hora, um aumento do teto constitucional do ST: nada menos que 16,38% de reajuste. Para você leitor ter noção do tamanho deste reajuste, no ano de 2018 os reajustes do trabalhador brasileiro variaram entre 3% e 6%, para elucidar a diferença, veja o gráfico abaixo:




Neste simples gráfico, temos uma comparação média entre os valores aproximados dos salários dos ministros do STF e o salário mínimo brasileiro. A diferença chega a ser tão alta que por exemplo em 2017, o salário mínimo não chegava à meros 3% do Teto dos Ministros do STF.
Não ficou totalmente claro? Veja este outro gráfico:





Neste consta as médias salariais com valores arredondados e a evolução de crescimento comparando novamente o teto do STF ao salário mínimo. Não preciso nem comentar!

 E com este reajuste proposto, os salários passariam de R$ 33,7 mil e uns quebradinhos para 39,3 mil. Mas não para por aí, o aumento do teto gera o famoso "efeito cascata" que significa o aumento do teto do funcionalismo público. Quando se eleva o teto, outros servidores vão querer o mesmo, esse efeito segundo especialistas pode causar um prejuízo avaliado entre 4 e 6 bilhões.
Mas qual é o grande problema deste aumento em um país tão rico como o nosso?
Este país esta tentando se recuperar da pior recessão e crise econômica/ moral da história. Segundo a ONU, o Brasil perde cerca de 200 bilhões de reais por ano com corrupção, como costuma dizer Paulo Guedes, é um plano Marshall por ano. Plano Marshall foi o plano que reergueu a Europa após a Segunda Guerra com cerca de US$ 100 bilhões, só o dinheiro distribuído pelo BNDS a um número restrito de "beneficiários" somam cerca de R$ 400 bilhões , ou seja, construímos uma Europa por ano. Mas tratar da corrupção é pauta para uma outra semana. 
Sendo entendido que este reajuste é tudo o que o brasileiro não precisa, voltamos ao tema dos Guardiões da Constituição. Dos 11 ministros somente um número minoritário foi contra este reajuste. Estou dizendo que os mesmos tem de ganhar pouco? De forma alguma, o cargo compete uma alta responsabilidade e conhecimento, logo o salário tem de ser alto. Mas mediante a disparidade com o salário mínimo e médio brasileiro, não seria primeiro ético, respeitoso e moral pensar em como aumentar o valor ou poder do salário mínimo e médio do brasileiro? Antes de pautar um reajuste à quem ganha um valor estonteantemente maior do que a média?

Várias vezes tento entender qual é o pensamento por traz dos mesmos que pautam estes reajustes em momentos tão inoportunos. Seria o medo? Algo a esconder? Talvez uma bonificação em prol de algum favorecimento próprio? Talvez, afinal o próprio nome já diz o tamanho de seu poder de decisão: "Supremo". Então qual seria o real motivo de tais "loucuras"?.
 Bem leitor, estou apenas especulando, mas ao ver este tipo de atitude, lembro de um jargão repetido no mundo financeiro:

"No final das coisas "Money dominates" , 
 mas aplicando ao Brasil:

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