A luta dos negros e os revisionismo histórico




Hoje, Terça- feira, 20 de Novembro é comemorado o dia da Consciência Negra. Um feriado aderido por 10% dos municípios brasileiros e muito comemorado pela mídia e pelos movimentos de ativismo negro.
A data homenageia Zumbi dos Palmares, negro que nasceu livre mas aos seis anos de idade foi vendido como escravo pelo próprio pai, se tornando posteriormente líder do quilombo de Palmares, um dos maiores do país. Hoje em dia, Zumbi é considerado pelo movimento negro, o símbolo da luta contra a escravidão e o suposto dia da sua morte é usado como data comemorativa e de reflexão ao papel do negro na sociedade brasileira.

Se tratando de Zumbi dos Palmares, historicamente falando, há um grande limbo no que realmente sabemos. Há poucos relatos sobre a vida de zumbi, o que fez e se realmente houve uma luta contra a escravidão. O pouco que se sabe é que essas comunidades negras eram basicamente formadas com uma estrutura monárquica, à modelo de tribos africanas, tendo como líder o Zumbi (que seria uma espécie de titulo). Inclusive, essas comunidades também tinham os próprios escravos, muitos deles capturados em batalhas contra tribos rivais, o que torna a discussão sobre o combate à escravidão por Zumbi, um tanto problemática.

A história do Brasil constantemente vem sofrendo uma espécie de revisionismo histórico. Partindo de correntes com interesses políticos distintos, temos difundido nas escolas e na mídia, cenários históricos e heróis que definitivamente não foram aquilo que dizem ter sido, e em virtude disso apagamos de nossa história os verdadeiros feitos de pessoas que realmente tinham um compromisso com o país. Talvez a questão da luta do povo negro seja o mais evidente exemplo disso.

No dia 13 de Maio de 1888, era promulgada a lei n° 1553. Assinada pela então regente, a Princesa Isabel, dando a liberdade a todo escravo em território nacional. O que ficou conhecido como lei Áurea.

A abolição não foi um processo simples e rápido, pelo contrário, o Brasil foi um dos últimos países ocidentais a libertar os escravos, muito por interesses político-econômicos, e também em razão do temor que havia em ocorrer uma espécie de guerra civil, como a pouco tinha acontecido nos Estados Unidos, em 1861.
O movimento abolicionista foi a primeira mobilização popular brasileira. Em torno desse ideal, nós tivemos uma grande movimentação por parte de intelectuais, universitários, artistas e jornalistas. Foram publicados célebres livros como "O Abolicionismo" de Joaquim  Nabuco, peças de teatro, músicas e etc. Com participação assídua de negros como José do Patrocínio, Luiz Gama ou André Rebouças, a abolição foi uma luta constante com ampla participação popular.

Mas, então por que o 13 de Maio é esquecido como data comemorativa?

Basicamente, existe um esforço por parte do movimento negro e por intelectuais, por deslegitimar a importância da Monarquia e da Princesa Isabel no processo da abolição. E esta afirmação parte dos próprios líderes desses movimentos (deixarei referências ao final do texto).
Há de se ressaltar aqui, que ambos imperadores eram abolicionistas e que também houveram esforços dos mesmos para a extinção desse regime. Vide as leis do sexagenário e do ventre livre, anteriores a Áurea que deram o primeiro passo na luta pela liberdade. Ambas as leis foram feitas por gabinetes conservadores do parlamento, coisa que raramente é lembrada.

A virtude que é apagada de Isabel, é uma forma de destruir a importância histórica do Brasil Império, deslegitimando ou mesmo escondendo os esforços da mesma para que viesse a acontecer a abolição.

Certa vez, indagaram a Princesa sobre a questão da promulgação da lei:

-Você pode estar assinando a abolição e o fim da monarquia.

Em resposta, ela destes talvez a maior demonstração do amor pelo Brasil e por seu povo. Amor este que estava acima de interesses de poder:

-Eu pago qualquer preço para libertar esses homens. Disse a Princesa.

Dada a lei em 13 de Maio de 1888, em 15 de Novembro de 1889 a família real era exilada do Brasil, vitima do golpe da República.

Hoje, ressaltamos o heroísmo inexiste de uma figura como Zumbi, que mais representa o autoritarismo revisionista que tomou conta do país do que uma real virtude libertária.

Precisamos fortalecer a nossa brasilidade, quem realmente somos. E isso começa pela verdade do que realmente fomos.

Referências

Brasil- A Última Cruzada. O Último Reinado https://www.youtube.com/watch?v=J8hnQcNyoXU&t=2351s

Dia da Consciência Negra é dia de um quilombo | Marco Antonio Villahttps://www.youtube.com/watch?v=5_YG9AkxuM4

http://www.soulnegra.com/13-de-maio-a-abolicao-da-escravatura/




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