A Nova Direita, O Pêndulo Político E A Esquerda Antidemocrática



POR Henrique Silva


Pra começo de conversa, é necessário fazermos um retorno histórico, uma contextualização da formação política brasileira contemporânea, mais especificamente a partir da década de 60.

Em 1963, o então presidente João Goulart (vulgo Jango) começara um grande programa de reformas. Dentre elas se encontrava a reforma agrária e a reforma de base, esta que se constituía em um extensivo processo de nacionalização, estatização de empresas, extensão do monopólio da Petrobrás e uma maior intervenção estatal na vida econômica brasileira. Uma verdadeira guinada à esquerda.

Entretanto, o modos político de Goulart desencadeou em uma animosidade de ambas as esferas da sociedade. A esquerda radical viu nas reformas uma oportunidade de revolução e instituição de um regime comunista no país. Enquanto isso, a dita direita, que já vinha alarmando o perigo de Goulart desde sua visita a China em 1961, se mostrou extremamente insatisfeita com o caminho que o país tomava, o que culminou na grande manifestação da Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade em março de 64 e posteriormente a tomada do poder pelos militares.




Bom, a partir daí, com os militares no poder, a estratégia de viés canhoto se deu por dois métodos: O primeiro se constituía na luta armada. Espelhados em moldes cubanos, surgiram diversos grupos de guerrilha que a partir do uso da força pretendiam derrubar os militares e instaurar um regime alá Cuba em território brasileiro. Nesse processo houveram diversos confrontos, atentados e assassinatos que as guerrilhas, na ânsia da revolução, promoveram durante esse período.

Paralelamente à luta armada, existia a estratégia de tomada de poder pelas vias de produção cultural. O método gramscista de adentrar a ideologia nos espectros da cultura e por meios de seus interlocutores, os intelectuais orgânicos, difundir à massa os ideais socialistas.

Nesse cenário de guerra fria, os militares tiveram total êxito em derrotar as guerrilhas armadas, porém, como bons positivistas que são, não se preocuparam com a tomada dos meios de comunicação, ensino e produção cultural que a esquerda estava realizando. Ao mesmo tempo,o governo militar fora por meio do AI5, destruindo e expurgando lideranças políticas da direita ideológica.

Toda essa forma tecnocrática de governar dos militares fez com que os mesmos perdessem o apoio popular no começo dos anos 80, (muito pela situação econômica e uma inflação grotesca de 228% ao ano) e cedessem ao processo conhecido como redemocratização.

Nesse processo de redemocratização, houveram três pilares partidários:

-O PT, alinhado com a esquerda socialista;

-O PSDB, alinhado com a social democracia;

-E o PMDB, este que podemos atribuir segundo o termo de Raimundo Faoro como o estamento burocrático. Este seriam os donos do estado, aqueles que por n meios tomam conta do aparato estatal e o usam para benefício próprio, de familiares e etc.

Com o cenário descrito acima, se formou a nossa conhecida redemocratização. Sem nenhuma ala legitimamente de direita, o caminho que se deu foi o de aparelhamento geral da máquina do estado e o uso dele para a perpetuação de poder dos líderes vigentes.

Toda esta estrutura de poder, criada pelo processo de redemocratização e pela constituinte de 1988, começaria a se romper em 2013, onde houveram grandes manifestações de rua, a princípio convocadas pela esquerda ligada ao PSOL.

Manifestações estas que ao ganharem corpo, foram inteiramente tomadas por populares de todos os tipos. O que de inicio, eram manifestações contra o aumento da tarifa do transporte público, logo vieram a ser pautadas por reivindicações anticorrupção e antisstablishiment, quase que por uma auto- percepção de realidade por parte do povo brasileiro.

Aos poucos foi surgindo a “nova direita”.

E começou ali. Tivemos o movimento pelo impeachment de extremo êxito, as manifestações a favor da prisão do ex- presidente Lula e também o fenômeno Bolsonaro, que logo veio a ter extremo apelo popular.



Hoje, 08 de Outubro, podemos ver o reflexo dessa iniciativa da “nova direita” e o processo de auto consciência do povo, diretamente nas urnas. O PSL, partido até então minúsculo, elegeu seus 51 deputados federais, se tornando a segunda maior bancada do congresso. Junto a isso, foram eleitos centenas de outros parlamentares em âmbito federal e estadual, alinhados com os ideais conservadores e liberais.

É o começo da participação da direita nesta nova democracia brasileira.

Ao mesmo tempo, vemos insuflar na mídia e nas redes sociais, uma espécie de negação de legitimidade por parte de setores de esquerda, à chegada democrática da direita aos cargos de poder. Falam em “perigo à democracia”, “radicalização”, “extremismo”. No universo ideológico deles não existe espaço para a direita.

O pêndulo ideológico foi demais para a esquerda e o resultado disso é uma forte guinada à direita nos tempos presentes, que levará multidões por onde passar.

Toda ação provoca uma reação oposta e de igual intensidade.

O pêndulo vem com força à direita, e com isso a esquerda se mostra cada vez mais antidemocrática.






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