Ora porra, Caetano!


foto por Mauro Ventura

Ontem, dia 14/10/2018, a Folha de São Paulo publicou um texto do sr. Caetano Veloso, no qual ele nos alerta sobre o fundamentalismo e incitação ao ódio promovido por Olavo de Carvalho em uma de suas publicações no facebook.

De antemão, deixo aqui o link do post de Olavo para que tires tua própria conclusão, leitor.

O texto de Caetano parte de uma premissa bem simples. Usar de uma má interpretação do post para desconstruir a figura de Olavo. Por que isso?

Bom, é de conhecimento de todos (pelo menos aos mais atentos) que o pessoal à esquerda tem a visão de que Olavo é o grande guru e mentor intelectual da campanha de Bolsonaro. Logo, o desconstruir equivale a desconstruir o capitão. Grave erro, pois ainda que responsável pela formação da "nova direita" brasileira, com publicações que escancararam verdades e abriram um rombo no esquema comunista/socialista, Olavo tem pouca ou quase nenhuma interferência na campanha de Bolsonaro. Olavo apenas pavimentou a estrada para que pudessem surgir movimentos espontâneos ao redor da figura de Jair.

Olavo é um intelectual independente, e mesmo que tenha uma fundamental importância no nascimento do mito Bolsonaro, de nada suas colocações impactam ou estão relacionadas a campanha do candidato. Pelo menos não para a grande massa de eleitores.

E assim, de forma pejorativa, Caetano lista uma série de fatos a respeito de Olavo com o intuito de transpassar uma imagem de um ser violento, autoritário e fundamentalista. Dentre as citações, ele menciona os estudos de Olavo sobre o Islã, seu apreço por armas (?) e faz comparações mesquinhas com intelectuais alemães do séc. XX. Segue trecho ipsis litteris:


Olavo, o sub-Heidegger do nosso sub-Hitler (ou sub-Spengler do nosso sub-Goebels), diz que petistas, artistas, mídia, professores, jornalistas e intelectuais apelam a recursos ilícitos e imorais para obter vitória. [...]

Feito isso, Caetano levanta uma série de “aspectos” que mostram como Jair incita o ódio ao opositores em falas, que deveras tiveram um tom infeliz. Porém, vale ressaltar que em nenhum momento vimos esta análise crítica por parte do cantor, no primeiro turno, quando seu candidato era Ciro Gomes. Não vimos uma crítica sequer ao coroné, ainda quando o mesmo agrediu fisicamente um jornalista e um blogueiro, ou quando chamou Bolsonaro de “nazista filho da puta”. Talvez a repulsa de Caetano à atitudes agressivas dependa do viés de onde elas partem.

Texto mais que infeliz do cantor.

Tudo que está escrito ali, só corrobora a tese de Olavo em seus posts em outras de suas falas: aqueles que fazem parte do estamento midiático, ao ver a enorme possibilidade de vitória de um candidato como Jair, se debatem como um peixe que acabara de ser fisgado, e em seus últimos suspiros tentam ao máximo se desvencilhar da isca que o capturou como única forma de sobreviver.

Era melhor o silêncio. Afinal, peixe morre pela boca.



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